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PF recebe comprovantes de pagamentos de empresa a escritório que, segundo delator, lavou dinheiro para o MDB
09/07/2018

Polícia Federal (PF) recebeu 10 comprovantes de pagamentos da empresa Pérola, do grupo Rodrimar, para o escritório de advocacia de Flávio Calazans. O advogado revelou, em delação premiada, que seu escritório foi usado para lavar dinheiro pago a Milton Lyra, apontado como operador do MDB.

Os depósitos, a que o blog teve acesso, foram recebidos pela Polícia Federal no inquérito dos portos, que investiga se o presidente Michel Temer editou um decreto em 2017 para beneficiar empresas do setor de portos. Em troca, a empresa teria pago propina.

Os depósitos de junho de 2014 a março de 2015 são importantes porque confirmam informações prestadas na delação premiada de Flavio Calazans, também anexada ao inquérito. O delator afirmou que os depósitos eram de "contratos fictícios firmados entre o escritório de advocacia" e a empresa Pérola.

Calazans revelou que seu escritório serviu como uma espécie de centro de lavagem de dinheiro para Milton Lyra. As operações, segundo Flávio Calazans, eram para Lyra "gerar caixa" para o esquema, e, por isso, "o dinheiro entrava na conta do escritório".

Esse repasse da Pérola, segundo a delação premiada, entrou na conta do escritório de Calazans entre 18 de junho de 2014 e 20 de março de 2015, em 10 transferências mensais, no valor de R$ 37.500 cada uma.

No acordo, Calazans diz que “existia uma conta-corrente de operações entre ele e Victor Colavitti e Rodrigo Britto, sendo que o dinheiro que entrava na conta do escritório saía, imediatamente, ou alguns dias após, para contas indicadas por Rodrigo e Victor”.

Rodrigo e Victor foram apontados por Calazans como intermediários de Lyra.

“Afirma que 90% das operações realizadas por Victor e Rodrigo eram operações para Milton Lyra, sendo que precisavam 'gerar caixa' e, por isso, o dinheiro entrava na conta do escritório e 97% a 95% era devolvido às contas por eles indicadas”, diz um trecho do depoimento do advogado.

Lyra é citado em delações premiadas devido à relação com políticos. Em abril, ele teve a prisão decretada no âmbito da Operação Rizoma, que investiga prejuízos no Postalis, fundo de pensão dos funcionários nos Correios.

Ele é suspeito de envolvimento no esquema que desviou recursos do fundo. Em maio, o ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), mandou soltar Lyra.

Em maio, a defesa de Lyra divulgou nota afirmando que "nunca fez ou mandou fazer qualquer depósito em favor do escritório de Flávio Calazans".

 

Fonte: G1
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